sábado, 12 de setembro de 2015

Autora da Globo diz que não tenta agradar a audiência e revela ter jogado primeiro capítulo de novela no lixo

Lícia Manzo (Foto: Globo/João Cotta)
Lícia Manzo fala sobre o processo de escrever novela
  (Foto: Globo/João Cotta)
Todos os seus trabalhos têm algo em comum: o foco nas relações familiares. Isso porque ela tem muito amor pelo tema, escreve com o cuidado de ser pessoal, não se subtrai da discussão e se coloca como sujeito nas histórias que cria. Essa é Lícia Manzo, autora das novelas ‘Sete Vidas ‘ e ‘A Vida da Gente’, a entrevistada do ‘Ofício em Cena’ da próxima terça-feira, dia 15. “A família é a matriz de todos nós. O indivíduo só pode ser compreendido no seu contexto familiar. É ali que vai delinear suas primeiras relações com o mundo”, explica.
Lícia, que foi atriz por 15 anos, garante que não existe fórmula mágica para escrever uma novela. “O desafio é primo do risco. Toda inovação é fruto da ousadia, não da adaptabilidade”. Para ela, cada autor tem sua marca registrada, e corre um grande risco quando tenta imitar um estilo na tentativa de agradar a audiência. “Quando gerei o primeiro capítulo de “Sete Vidas” ficou muito ruim. Muito ruim mesmo. Eu mandei um email para todo mundo, falando: parem o barco. À deriva. Não sei para onde estou indo. Foi parar no lixo o capítulo. Por quê? Porque produzi um capítulo querendo agradar. Você tem que escavar para dentro. A única coisa que justifica ser uma novela minha sou eu”.
A autora revela à apresentadora Bianca Ramoneda o seu processo de trabalho, mostra a sua caixa preta de ‘Sete Vidas’, uma forma artesanal que criou para organizar todas as histórias da novela, organizando as tramas por semana e dando a cada núcleo uma cor diferente. Com isso em mãos, ela sabe a história de todos os personagens, de onde vêm, para onde vão, e como os núcleos se encontram. “Esse projeto também poderia se chamar “se nada mais der certo” porque se ao longo da novela eu não pensar em ideias melhores, tenho a novela aqui”, conta. “Mas eu seria louca se seguisse isso até o final porque o que os atores e a direção trazem nos surpreendem, nos desorganizam”.
Lícia também comenta a habilidade que tem para falar sobre família de uma maneira interessante. “Sei que o diálogo está bom até o ponto em que está me interessando, em que traz novidades. Quando começa a repetir o que já foi dito, é hora de mudar para outra cena”. Lícia elege com carinho uma de suas cenas preferidas de ‘A Vida da Gente’, uma discussão entre as irmãs Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manuela (Marjorie Estiano). Durou oito minutos e meio no ar e tinha tudo para ser chata. “A cena era enorme e a princípio você tem tudo para achá-la chatíssima. Mas não ficou, porque o que elas estavam dizendo ali era verdadeiro, relevante, sincero e não era repetido”, lembra a autora.
Entre suas marcas registradas, está a de não rotular os personagens, criando mocinhos ou vilões. “O ser humano é tão complexo que acho que ele mesmo alterna o vilão, a pessoa mais nobre, a mais burra, a mais iluminada e momentos de baixeza e mesquinhez com momentos de generosidade. Essa mistura é o ser humano e é tão mais rico dramaturgicamente se valer dessa paleta para desenhar um grupo de personagens, em vez de enfiar uma seta neles: “esse é bom, esse é mau””, define a roteirista.
Com direção de Cristina Aragão, a entrevista de Lícia Manzo ao ‘Ofício em Cena’ vai ao ar na próxima terça-feira, dia 15, às 23h30, na GloboNews.

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