terça-feira, 19 de maio de 2015

“Você deve ter toda a liberdade de falar absurdos”, diz autora da Globo sobre criação de novelas

Thelma Guedes (Foto: Globo/João Cotta)
Thelma Guedes fala sobre os desafios de escrever uma novela
(Foto: Globo/João Cotta)
Em entrevista ao programa ‘Ofício em Cena’, da GloboNews, que vai ao ar nesta terça-feira (19), Thelma fala sobre o desafio de escrever a quatro mãos com a parceira Duca Rachid, os embates e as vaidades que enfrentam, além das dificuldades para tornar real as suas criações em uma produção.
Thelma compara o roteirista ao contador de histórias dos tempos mais remotos e teme que essa figura se perca com as novas tecnologias. “O autor de telenovela é igualzinho àquele sujeito que ficava, lá no começo dos tempos, em volta da fogueira contando histórias para a sua comunidade”, compara.  E complementa dizendo que o trabalho do roteirista é de muitas vozes, mas que também é preciso saber ouvir. Que a profissão deve ser respeitada, mas não sacralizada. E que todo mundo tem que falar, para haver uma troca. “Eu acho que tem que se romper o lugar do sagrado, de qualquer profissão. Sabe quem é sagrado? O público, o produto. Tem que ser o melhor para o produto.”
Ela explica ainda as dificuldades de viabilizar as suas criações e brinca dizendo que todo autor deveria fazer estágio como produtor, para entender as necessidades da dramaturgia. “No momento de criar, você deve ter toda a liberdade de falar absurdos, de ir para a Lua, para Marte, mas claro, você também tem que pensar na produção”, diz. E cita exemplos, como a cena de ‘Joia Rara’ que escreveu com um gato em cima da árvore, para mostrar como a menina Pérola, interpretada por Mel Maia, era sapeca. Se ela tivesse noção de como a cena seria difícil de viabilizar, teria colocado uma pipa ou qualquer objeto estático na árvore, mas a produção acaba se desdobrando para realizar exatamente o que o autor escreve. Ao mesmo tempo, a autora defende que toda essa dificuldade para a realização da cena pode acabar bloqueando a criatividade, se o autor tiver noção de como é difícil realizá-la.
Grande parte dos trabalhos de sucesso de Thelma são fruto da parceria com Duca Rachid. Uma parceria sugerida por Walcyr Carrasco, autor do qual as duas foram colaboradoras. Elas nem se conheciam quando Walcyr sugeriu que elas escrevessem juntas o remake de ‘O Profeta’. As duas são de escolas diferentes: Thelma vem da literatura, e Duca do jornalismo. E aprenderam como é mais rico dividir, apesar da criação ser um ato muito íntimo. “Você não é um gênio o tempo todo, mas você é humano o tempo todo. Às vezes, o humano chega no genial e é quando você vibra. Mas você também escreve e tem ideias banais, ruins. E às vezes é apavorante saber que o outro está vendo essas ideias”, comenta.
Thelma foi prestigiada por muitos atores na plateia, como Nicette Bruno e Carol Castro, entre outros. Elas se misturaram a outros atores, diretores, roteiristas e estudantes de artes cênicas, comunicação e cinema, para tornar a conversa ainda mais interativa e interessante.  Os estudantes integram o projeto ‘Chegue mais perto’, do Globo Universidade, que proporciona a esse público específico a visita aos centros de produção da Globo.
Apontada como uma das mais importantes da chamada renovação da teledramaturgia, Thelma Guedes já escreveu em parceria com Duca Rachid, novelas de sucesso como ‘Cordel Encantado’ e ‘Joia Rara’, que em 2014 ganhou o Emmy Internacional de melhor novela, considerado o Oscar da televisão mundial.
A entrevista de Thelma Guedes a Bianca Ramoneda no programa ‘Ofício em Cena’ vai ao ar nesta terça-feira, dia 19, às 23h30, na GloboNews.

Nenhum comentário:

Postar um comentário